Embalagens

17 de janeiro de 2008

Abief – Aposta no mercado externo sustenta estimativas de crescimento do setor

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Publicado por: Renata Pachione
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    Plástico Moderno, Rogério Mani, presidente da Abief, Abief - Aposta no mercado externo sustenta estimativas de crescimento do setor

    Mani propõe a implantação de um modelo exportador

    Adotar um modelo exportador será o foco do mercado brasileiro de embalagens plásticas flexíveis nos próximos anos. A Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief) entende que, para crescer, o setor precisa explorar regiões fora do território nacional. A proposta soa ousada, pois a intenção é exportar 30% da sua capacidade produtiva, índice muito superior ao alcançado hoje. No entanto, consciente do panorama atual, para 2008, a previsão é de vender para o exterior 15% desse volume. Mudanças na configuração dessa indústria também tendem a emergir. A expectativa é de que haja um enxugamento do setor, por conta de fusões e até mesmo do fechamento de algumas empresas. De acordo com o presidente da Abief, Rogério Mani, as circunstâncias atuais impõem aos transformadores a necessidade de buscar mais competitividade. Ele prevê ser condição sine qua non para a sobrevivência a injeção de investimentos na capacitação profissional e na modernização do parque industrial. “Até porque o mercado não perdoa: se a indústria não oferecer produtos modernos e tecnologicamente compatíveis com a realidade internacional, ela é facilmente descartada como player”, diz Mani. Diagnóstico da Abief depõe contra o setor, pois aponta que 40% das máquinas estão obsoletas. A melhor qualificação também será abrangente, pois deve contemplar não só a mão-de-obra operacional, mas também a gerencial. “É preciso mudar o modelo da empresa que tem dono, para a que tem gestão”, propõe. Para ele, essas são duas frentes de trabalho a caminhar juntas. “Não adianta dar uma Ferrari para quem não sabe dirigir”, brinca.

    Problemas à vista – Os novos rumos da indústria de flexíveis incitam apreensão. “O primeiro semestre será conturbado”, antevê Mani. O anúncio do possível aumento do preço das resinas mexeu no cerne das projeções do setor. O reflexo desse reajuste – está previsto acréscimo de até US$ 100 – somado à possibilidade de uma nova crise energética, preocupa Mani. “Com o petróleo a cem dólares o barril, o ano será difícil”, diagnostica. Responsáveis por cerca de 70% dos custos, as resinas têm forte influência no rumo da indústria de embalagens flexíveis. Um entrave, de acordo com Mani, é a impossibilidade de diminuir as margens ainda mais. “Em 2007, as margens estiveram minúsculas”, aponta. Por isso, a revisão de custos e a prática de uma política de preços condizente com a realidade do mercado devem ser palavras de ordem para os transformadores. Para este ano, ele prevê mudanças. “Precisamos fazer a lição de casa, pois devemos gerar lucros e crescer”, diz. Em suma, a preocupação da associação é tornar o setor competitivo para ter condições de exportar seus produtos e assim efetivamente expandir-se. Nos últimos anos, o setor se viu às voltas com o aumento das importações e a estagnação das exportações. Esse quadro tende a se modificar, pois se assim continuar o transformador brasileiro poderá se tornar um simples distribuidor de produtos importados.

    No caso da importação das resinas, ele propõe a redução das taxas, hoje de 14%. O ideal seria a isenção, porém, como tem consciência de sua inviabilidade, a Abief se esforça para tentar reduzir à metade. A idéia é ampliar as possibilidades dos transformadores, sobretudo porque com a reestruturação o setor petroquímico nacional ficou reduzido a dois grupos: Braskem e Unipar. Além de tentar facilitar a importação das resinas, os transformadores precisarão, segundo Mani, se envolver nessa reorganização setorial. “Como estaremos dependentes de apenas duas empresas, precisamos nos assegurar que os reflexos positivos dessa união se estenderão para a terceira geração. É preciso garantir que não haverá um ‘duopólio’”, afirma.

    Foco no transformador – No entanto, de alguma maneira, 2008 será o ano da terceira geração, na previsão de Mani. Assim como os anos anteriores contemplaram a primeira e a segunda geração, agora a bola da vez serão os transformadores. Não será, no entanto, um período necessariamente positivo, mas deve ser um ano em que muitas mudanças estruturais acometerão o setor. A terceira geração estará na berlinda. “Prevemos que haverá uma redução no número de empresas. Muitas ficarão no meio do caminho e outras irão se fundir”, diz. Ao assumir como base de comparação as previsões internacionais, a Abief vislumbra projeções positivas para o mercado nacional de embalagens plásticas flexíveis. Otimista, Mani afirma que as perspectivas são animadoras. Para ele, no Brasil, o setor irá crescer cerca de 20% até 2009 (no acumulado). Essa expectativa supera o crescimento esperado para a América do Sul. Nessa região, está previsto um aumento do consumo de 7%, no período de 2004 a 2010. De acordo com a Pira International – responsável por estudo no qual a Abief se pauta –, no mundo, a demanda das embalagens plásticas flexíveis aumentará 30% até 2010. O ano de referência é o de 2004, quando o consumo foi de 12,3 milhões de toneladas. No âmbito global, a China é um dos países que encabeça o crescimento do setor. Até 2010, o consumo chinês será de 1,7 milhão de toneladas.


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