Economia

29 de fevereiro de 2016

Petroquímica: Gás barato e acesso a mercados estimulam a investir no México

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Plástico Moderno, Vista aérea do complexo Braskem-Idesa, em Nachital (Veracruz, México)

    Vista aérea do complexo Braskem-Idesa, em Nachital (Veracruz, México)

    Dentro do orçamento e do cronograma, o complexo petroquímico Braskem-Idesa prepara o processamento de sua primeira carga de etano para dezembro. Em meados de novembro, os geradores de vapor foram colocados em marcha de modo a suprir as operações de limpeza das tubulações e equipamentos das instalações.

    Instalado bem perto do rio Coatzacoalcos, na pequena cidade de Nanchital, no estado de Veracruz, próximo de três unidades petroquímicas da Pemex (Cangrejera, Morelos e Pajaritos) e provido de ampla estrutura logística (estradas de rodagem e de ferro, além de portos especializados com saída para o Golfo do México), o complexo em fase de conclusão representou investimento de US$ 5,2 bilhões, o maior projeto privado daquele país na atualidade. É composto de um cracker de etano para gerar 1.050 mil t/ano de eteno, olefina que alimentará dois trens de polietileno de alta densidade (PEAD, 750 mil t/ano, no total) e um de polietileno de baixa densidade convencional (PEBD, 300 mil t/ano).

    Além da escala mundial, o complexo conta com um trunfo magnífico: um contrato de suprimento de 66 mil barris/dia de etano de gás de refinaria com duração de 20 anos, com preço estipulado com base na cotação do gás em Mont Belvieu (Texas, EUA), com um desconto. Ou seja: o complexo terá sua principal matéria-prima a um valor mais baixo que a mais favorável referência mundial do ramo na atualidade.

    Também é importante contar com mercado consumidor praticamente garantido. O México consome 2,1 milhões de t de polietilenos anualmente, dos quais 67%, ou 1,4 milhão, são importados. Mesmo considerando que o país é um dos mais abertos do mundo à entrada de produtos de outras origens, um produtor local tem a vantagem óbvia do custo de transporte. No caso da Braskem-Idesa, o etano local garantirá vantagem ainda maior.

    Plástico Moderno, Bischoff: tecnologia moderna se traduz em alta eficiência

    Bischoff: tecnologia moderna se traduz em alta eficiência

    Essa vantagem poderá ser mais ampla. O complexo utiliza as mais modernas tecnologias do mundo em suas unidades de processo. O cracker foi construído sob licença e projeto da Technip, conta com seis fornos de pirólise, dotados com as maiores serpentinas internas do mundo nessa aplicação.

    “A título de exemplo, a Unidade Insumos Básicos de Camaçari-BA, tem capacidade para 1,2 milhão de t/ano de eteno a partir de nafta, mas opera com duas linhas com 11 fornos cada uma, com um consumo de energia consideravelmente maior; a relação etano/eteno da Unib de Camaçari é de 1,3, enquanto a daqui do México deverá ficar em 1,2 ou menor”, explicou Roberto Bischoff, presidente da associação Braskem-Idesa.

    Bischoff tem longa folha de serviços no setor petroquímico, tendo sido responsável pela construção das unidades de polipropileno e de PEAD/PELBD no Pólo Petroquímico de Triunfo, na década de 1990, passando por posições de comando nos polos paulista e baiano. O complexo de Nanchital está sob seu comando desde antes da terraplanagem, executada em 2012.

    Plástico Moderno, Paiva Leite: plantas gêmeas produzirão grades diferentes

    Paiva Leite: plantas gêmeas produzirão grades diferentes

    Produção de resinas – As unidades gêmeas de PEAD têm capacidade prevista para 400 e 350 mil t/ano. Embora idênticas, devem produzir volumes diferentes. “Pretendemos especializar cada unidade em determinados grades, uma delas deverá fazer polímeros bimodais, cujo tempo de residência no reator é maior, e também produzirá maior variedade de produtos, com tempos de campanha menores que a outra unidade, que ficará com a produção dos grades de maior demanda, com campanhas mais longas”, explicou Cleantho de Paiva Leite Filho, diretor de relações institucionais, novos negócios e comunicação externa da Braskem-Idesa.

    Ambas as unidades de PEAD contam com tecnologia Inovenne S, licenciada pela Ineos, de slurry (em pasta ou lama), usando isobutano como solvente de processo. Os carros-tanques ferroviários com o solvente já estavam estacionados no pátio do complexo em meados de novembro. Segundo Paiva Leite, os estudos de mercado local e internacional apontam a existência de grandes excedentes de PELBD, especialmente os gerados em unidades com tecnologia de alternância (swing) com PEAD. Isso explica a opção pela tecnologia da Ineos, que também permite produzir grades adequados aos clientes mexicanos.


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